Um caso de amor que perambula pelo espaço do tempo e anda perdido por aí, no universo das circunstâncias e não encontra lugar para acontecer. Acho que é isso que somos.
Se juntassem as imagens de nossos espelhos, daria uma imagem dividida. De um lado, quebra-cabeça, encaixe perfeito de formas. E do outro, um desencontro de linhas, cores e sombras. Desfoque total.
O que penso é que o tempo correu em compassos diferentes para mim e para ti. Aqui dentro, uma flor que desabrochou e encontrou a fórmula de cuidar melhor de suas pétalas. Você, um belo cravo que ainda não aprendeu a se podar.
Meu coração nunca se desesperou ao te ver chegar. Mas meus olhos já sorriram ao sentir seu bom cheiro. E o sorriso murchou quando tuas palavras me fizeram lembrar do lado desfocado de nós dois.
E eu sei que o sol seria dez vezes mais bonito, se o seu pôr acontecesse à companhia de nós dois juntinhos.
E sei que o silêncio não seria sempre calado. Ele estaria assumindo a forma de dizer que o momento era mais que palavra, só pela nossa companhia. Um dia seria assim.
Às vezes bate um lamento em pensar que poderíamos ser como estória de amor da música mais linda de mpb mais b...
Ah, se o amor só carecesse do mundo em que o passarinho canta e é mais encanto que o show mais caro e tecnológico. E com esse mundo aí mesmo que ele combina, mas é aqui que ele sobrevive. Onde as diferenças podem ferí-lo e é bom evitá-las... pra ver se a gente fica assim, pelo menos se entreolhando, cada um da janela de um trem. Imaginando que seríamos a companhia perfeita para a noite de ver as estrelas e para os dias de visitar o jardim da incompreensão. Dias do ano inteiro de cor, vermelho, amarelo e azul; ou preto com branco e um toque de cinza.
Vou guardar o desenho que te fiz. Quem sabe lá no futuro, eu não resgate-o de uma caixinha florida, com um sorriso no canto do rosto e pense: "é, foi melhor assim..."
4 de dezembro de 2011
Na noite passada meus olhos vidraram, focando o que aconteceu e ficou no raso.
27 de outubro de 2011
Pequenina, mas obra divina, obra divina.
28 de julho de 2011
Trem da vida
Eu até que fui com a cara dele;
ele até que correspondeu.
Mas logo vi que não tinha educação;
ainda bem que desceu.Entre livros, cochilos e arrepios
chegam as estações...
Eu só fico aqui torcendo:
"Vem, mostra tua passagem só de ida ao maquinista;
embarca logo nesse trem.
Tira o chapéu; dê um sorriso;
aproxime-se."
Prometo fazer deste o vagão mais seguro;
indicar-te o banco mais confortável;
mostrar-te as mais lindas paisagens
e ser sempre tua e melhor companhia.
Que só acabe a ferrovia quando o trem não mais funcionar.
14 de julho de 2011
Manchete de webjornal
Hoje, Gabriel Seraff, perito experiente e renomado, fez a primeira análise do último assassinato na principal avenida da cidade. Após a perícia, num súbito de sensibilidade, declarou:
_ Pelos objetos encontrados na cena do crime, de certo era um trabalhador. Pelo que pude presenciar da reação dos familiares informados, era um homem de bem.Civis, militares e jornalistas à volta de Gabriel, comoveram-se. Três horas depois, a avenida foi liberada para trânsito e todos voltaram para suas rotinas de notícias e cenas de tragédia, maldade e covardia.
A bala entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Numa fração de segundo, levou consigo uma vida. Sonhos, projetos, sentimentos, dificuldades vencidas, alegrias conquistadas à muita força. Roubou de sopetão o abraço de um filho; o orgulho de uma mãe; o sorriso sincero de um amigo e o amor de uma esposa, agora desorientada.
Que dizer então do criminoso? Um ser corrompido por um mundo que berra SOCORRO! ao mesmo passo que se afunda em sua própria lama de ganância. Caso ele for pego, deve cumprir uns cinco anos de pena e sair livremente pelas ruas. Revolta do tal que foi capaz de tanta crueldade? Talvez. Pena? Quem sabe...
E aquela poça de sangue derramado a troco de quase nada é mais uma prova de que para muitos, a vida é banal. Mais um caso de desamor incondicional.
26 de maio de 2011
Uma rosa, talvez.
Nó na garganta. Coração querendo mergulhar no próprio sangue para se esconder da tempestade em que se meteu.
Minhas pétalas estão murchinhas. Teu bom perfume as sufocaram. Deixe-me ir para longe, para onde meu pensamento não te alcance. E eu não consiga te e me causar problemas, meu bem. Me deixa no meu canteiro, pelo menos por enquanto. E quando vier a seca e eu sentir sede, volto a pedir um pouco do teu mel; da forma como se deve. Não se preocupe tanto comigo, meu caule já se acostumou com as rachaduras. Embora, ele sinta dor, pois seus espinhos não o defendem de tudo. Fazem bem. Além disso, daqui há pouco nasce um quinto sol, dessa vez brilhante e brando. Também terá chuva na medida e um regador dedicado e único. Você logo verá... serei bonita, suntuosa e bem cuidada, como a rosa do Pequeno Príncipe. Ah, meu Criador vai tomar conta de tudo e ficará contente que só Ele!
27 de fevereiro de 2011
Amorradiação
Por favor, não entenda como preconceito, intolerância religiosa ou coisa do tipo.
Ruas, avenidas, carros, esquinas.
Multidões.
Pessoas vem, pessoas vão. Ora envoltas por luz; a maioria, por escuridão.
Elas caminham em direção aos seus "próprios destinos", em meio a suas existências que ainda não tem sentido.
Cada ponto de negritude estirado em seu precipício. Eles iludem seus donos com máscaras de planície, ou até de montanha.
E eu?
Eu sou um dos pequenos vagalumes que habitam o breu. Somos pó, mas através de nossa potente Fonte luminosa, podemos irradiar esperança e verdade a quem for.
À Fonte, peço ímãs ao invés de olhos que julgam, temem e repelem-me dos corações. Corações vazios ou cheios do que só os afundam.
Que o bater de minhas asas fale e ecoe. Que meu vôo mostre. Ainda que riam; antes que eu morra.
Quero ter a profissão que concede sopro de vida aos que andam mortos (sem saberem) e é remunerada com moeda sobrenatural. Quero aprender a amá-los a ponto de ser flecha do Cupido Santo, levando a mensagem do amor perfeito a aqueles que de Jesus precisam.
