29 de março de 2015

Árvore

Ah, meu bem... você quer mesmo ouvir?!
Obrigada!
Oh. Meu bem, obrigada!
Mesmo! Obrigada!

Me desfiz como um papel no meio de um temporal.
Mergulhei como uma semente para dentro da terra.
Sim, era assim que eu me sentia:
Enterrada por um monte de sentimento sujo de barro.

Fiquei lá por algum tempo,
tentando respirar o mesmo ar que você.
Mas oh, baby!
Você estava do lado de fora
Às vezes eu sentia que você caminhava
sobre a terra que me encobria.
E eu queria agarrar os seus pés e me arrancar dali.

Mas, oh, meu bem!
Obrigada!
Não precisa entender,
Mas sinto-me realmente agradecida.
Obrigada!

Não, baby! Eu não estou louca!
Sim, eu quase morri por asfixia.
Mas toda semente uma hora germina
E elas se tornam raízes
E elas crescem.
Tente puxá-las!
Agora elas têm forças.


Um dia quando senti a chuva me inundar 
Algo despertou
Eu fiz daquela prisão a minha escada
Meu desafio
Ei, eu cresci.
Me tornei um tronco.

Ei, agora faço parte do jardim
Aqui de cima, na minha copa
Eu posso observar seu caminhar
E, meu bem... você quer mesmo ouvir?!

Obrigada!
Oh, meu bem!
Espero que minhas folhas caiam sobre você
E te digam:  obrigada!
Mesmo, obrigada!

3 de outubro de 2014

Curso de Autoestima

...
Os pensamentos me encurralaram num quarto escuro.
Vestidos de terno, gravata e chapéu, caminhando com pose de gângster e bengalas banhadas de ouro nas mãos. Suas expressões são malefícamente sutis. Não sujam suas mãos que são dadas à elegância. Mas o sangue do bando é frio e é ele que manda buscar os empregados para fazerem o trabalho sujo.
Entram os anjos maus do mundo cibernético me contando uma notícia em tom de louvor. 
Silêncio.

23 de julho de 2014

Sem título, por favor!

Eis-me aqui! Boa música, minha casa intelectual sobre o colo, cama, ar caseiro.
É, já identifiquei a chegada dele. Sabe aquele momento em que seus corredores ficam meio vazios? Você anda para lá e para cá acompanhado de uma, duas, muitas pessoas. Sempre há uma porta para sair, um horizonte novo por trás dela para avistar e visitar. Talvez o lugar incomum, de sempre, mas ainda incomum. Não sobra nem tempo para ver o tempo passar. Nem ao menos para trocar os carpetes por onde pisam afoitos.