23 de julho de 2014

Sem título, por favor!

Eis-me aqui! Boa música, minha casa intelectual sobre o colo, cama, ar caseiro.
É, já identifiquei a chegada dele. Sabe aquele momento em que seus corredores ficam meio vazios? Você anda para lá e para cá acompanhado de uma, duas, muitas pessoas. Sempre há uma porta para sair, um horizonte novo por trás dela para avistar e visitar. Talvez o lugar incomum, de sempre, mas ainda incomum. Não sobra nem tempo para ver o tempo passar. Nem ao menos para trocar os carpetes por onde pisam afoitos.
Mas... um amigo sai sozinho por uma porta, você nem bem se dá conta porque ainda tem outros para te puxar quando olha para trás e o observa sair. Às vezes nem chega a perguntar onde vai, quanto tempo vai demorar.
E numa segunda olhada já se vão dois... Quando o relógio finalmente surge diante de seus olhos, percebe que restou alguém, um único alguém ao seu lado, e apenas em alguns trechos dos corredores. E... É... foi aí que identifiquei a chegada dele. Hora de dar meia volta e andar em direção contrária. As portas agora são entradas. Entradas para meus próprios cômodos. Minhas dúvidas, meus sonhos, minhas decisões, meu coração, minha mente, meu espírito, minha alma. Meus eus. E vamos entrando. Um dia simplesmente sento no capacho e fico. Resistência, preguiça, medo de entrar. No outro não faço cerimônia, não bato, não chamo, não aviso. Invado-me, arrumo as coisas, decoro, exploro, deito no sofá de cada sala, subo a escada de cada terraço, lavo cada janela empoeirada, jogo fora o lixo, reformo.
Confesso, às vezes diminuo a velocidade do passo, me encosto na parede e fico, louca, desesperada, querendo sair de mim, fugir pelo telhado, buscar alguém lá fora para vir caminhar por aqui, dividir seu próprio corredor comigo, multiplicar algumas portas, unir outras, aconchegar o espaço para nós e permanecer, não permitir esse vazio quase total nunca mais...
Instalei uma campainha lá fora. Sabe, aceito que a toquem. Mas há também um olho de gato para observar quem chegar. Permito-me trocar algumas palavras até, mas abrir... ah, me deixa tomar conta do meu lugar. Deixe-me equilibrar, avaliar, definir, só curtir, se quiser, deixar levar também mas selecionar. Já percebi que ninguém responde por mim, pelas bagagens que trazem, que deixam por aqui em mim. E agora não falo apenas de pessoas. Propostas e oportunidades também tocam campainhas.
Então, eis-me aqui! Caminhando, vivendo a calmaria do momento, até o próximo boom ou até a surpresa chegar.

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